25/02/2013 - Medicina Geral

Amígdalas e Adenóides

Amígdalas e Adenóides

O que são? Para que servem? Quando Operar?

Um questionamento muito frequente nos consultórios de Otorrinolaringologia é acerca das amígdalas e adenóides. Geralmente são pais e mães preocupados, pois, “alguém” (vizinho, médico, primo, conhecido), sugeriu que o filho(a) deveria ser submetido a cirurgia para retirada destes pequenos órgãos.
As amígdalas e adenóides, ou tonsilas palatinas e faríngeas, são porções de tecido linfóide presentes na porta de entrada dos sistemas gastro-intestinal e respiratório. Elas fazem parte de uma estrutura chamada Anel Linfático de Waldeyer, e juntamente com as tonsilas linguais, tubárias e nódulos linfáticos da faringe se constituem nos primeiros tecidos imunocompetentes a entrar em contato com os microorganismos exógenos e outros antígenos. Estas estruturas, estrategicamente localizadas, funcionam como ‘sentinelas’ do sistema imunológico, auxiliando na resposta de defesa do organismo.
Ao entrar em contato com qualquer nova substância ou microorganismo estranho, as tonsilas desencadeiam uma resposta que culmina na produção das imunoglobulinas, que são os famosos anticorpos. Uma vez produzidos anticorpos para determinado antígeno, o organismo designa algumas células chamadas células de memória, que serão responsáveis por produzir o mesmo anticorpo quando sofrer invasão pelo mesmo agente.
Imaginem agora quantos antígenos diferentes entram em nosso trato respiratório e gastro-intestinal todos os dias, através do ar que respiramos, alimentos, água, etc. Para quem passou da segunda década de vida, provavelmente já teve contato com a maioria das substâncias que fazem parte do cotidiano. No entanto,  durante a infância, a maioria dos agentes que entram em contato com o organismo, são novos para o sistema imunológico. Portanto, é durante a primeira década de vida que as amígdalas e as adenóides estão mais ativas.
Por vezes, vírus e bactérias novos irão infectar o trato respiratório da criança, também fazendo parte do “amadurecimento” do seu sistema imunológico. Por isso, aqueles episódios de resfriado que insistem em acometer os lactentes invariavelmente a cada um e dois meses é encarado pelos profissionais de saúde como algo absolutamente normal. 
Bom, mas se as amígdalas e as adenóides são tão importantes para o perfeito funcionamento do sistema imunológico, porque existe a cirurgia para retirada das mesmas?
As duas indicações mais frequentes de amigdalectomia e adenoidectomia são apnéia do sono ou infecções recorrentes.
Em alguns casos, as amígdalas e adenóides são tão hipertróficas e volumosas, que obstruem a via aérea, levando a um quadro de apnéia durante o sono. Em outros casos, o que vemos são episódios muito frequentes e recidivantes de amigdalites, até 7 vezes ao ano, necessitando do uso frequente de antibióticos. 
Nestes exemplos citados, o benefício de se manter as amígdalas e adenóides é inferior ao benefício de retirá-las cirurgicamente, constituindo uma indicação para o procedimento.
É importante salientar que os casos variam individualmente, cabendo ao médico, paciente e família decidirem pela melhor conduta em cada caso específico.
Fonte: Programa de Atualização em Otorrinolaringologia
PRO-ORL. Ciclo 5 Módulo 1.

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